Holy Grail

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terça-feira, 1 de maio de 2018

Martírio Pálido

Se você está partindo eu também não posso ficar
Que paixão seria essa que transbordaria em tormenta
Da saudade, do exílio, do martírio que é estar longe de você
Queria eu, ter ao menos uma chance nessa vida de reviver

Encaro o abismo pronto para entregar meu corpo ao chão
Nada mais faz sentido enquanto a distância fere meu coração
Porém, a maior de todas as dores é ceder
Entregando esse amor que acreditei capaz de vencer

A boca enche de sangue e as lágrimas escorrem
Assombro as trevas e nem mesmo elas me socorrem
Estou deixando a coisa mais especial que já conheci
Para talvez, em algum dia, voltar a sorrir

A cada palavra escrita o corpo se desfaz
E meu único desejo é ter paz
Ainda poderia ter se você fizesse a volta
O que é verdadeiro ainda está na nossa porta

Fica, e tudo será válido
Não me deixe no martírio pálido

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Delirium

Não escrevo nada importante.
Não escrevo nada bonito.
Nunca escrevi nada importante.
Nunca escrevi nada bonito.

Delírios de um escritor com problema existencial, um amontoado de palavras que não representam nada. E não é porque não quis, apenas porque sou um infeliz. Amaldiçoado pelo ultraromantismo em todos os sentidos. Idealizando o que não podemos idealizar, almejando a donzela que está distante dentro de sua própria consciência. Me deito com a garrafa cheia de líquido, e transformo minhas tristezas em vinho. Aborreço minha própria desilusão, convulsiono minha própria consciência. E continuo questionando essa injusta existência.

Oblivion - Sonho

Um sonhador perturbado, um alquimista desajeitado. Sou o oblívio, mas havia me esquecido, pois em seus braços conheci o delírio. Achei que a realidade seria mais bela, nem preta, nem cinza, apenas com tonalidades de aquarela. Me perdi no desconhecido buscando o conhecimento, juntei muitas forças para serem levadas com um único vento. Um sopro mortal de desilusão, uma punhalada firme e vigorante dentro do meu coração. Eu sou aquele que cai em esquecimento, e estava feliz por me perder desse advento. Fui lembrado da existência na hora mais triste, fui levado a crer que nada do que eu digo existe. Minhas palavras não fazem sentido, nada do que eu digo é ouvido. Talvez eu não seja assim tão importante, ou talvez minhas palavras não sejam o agravante. De qualquer forma, eu ainda sonho, e me deito com a vontade de nunca acordar.

Uma exceção se me mostrassem a verdade.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Do Sorriso

Eu queria ter o teu sorriso, enraizado por esses olhos negros. Eu queria ter o teu desprendimento e a feição namorada do sossego. Ser distante como tua presença e acreditar na minha própria renascença. Poder tocar o mundo com tuas mãos e ainda sentir meu coração. Eu gostaria de ter lhe falado, talvez até conversado. Gostaria que fosse mais, e que nosso contato trouxesse paz. Desejaria te ver sorrindo, e não apenas por um símbolo. Desejaria te conhecer, e com certeza me surpreender. Meu desejo é que coisas boas atravessem meu caminho.

Para que eu possa mais uma vez te ver sorrindo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O Devorador de Mundos

Você quis estrelas, eu te trouxe o sol. Você quis um mundo, eu te trouxe planetas. Você quis um sonho, eu te trouxe todas as dimensões. Calculando todas as possibilidades, eu trago em infinitas variáveis o que você sempre desejou alcançar. E as vezes esqueço de me alimentar.

O esquecimento pode ser um erro irracional, mas as escolhas são erros fundamentados no consciente. Assim, eu deixo a ordem natural de lado e me viro em direção ao abismo, encaro todos os espectros em segundos e me torno o devorador de mundos.

Um ídolo que nasceu das maiores jogadas de nossa consciência. Vontades para todas as direções e memórias para alterar as percepções. Eu viajo por todas as dimensões tentando me saciar a te satisfazer, me transformando num imenso ser.

Galáxias poderão ser engolidas, e minha megalomania seguirá em vigília . A loucura de uma explosão que gera novos mundos também me alimenta, e jamais deixarei a complexidade do Universo morrer, pois preciso de você.

Somos filhos pródigos de um lugar além da primeira constelação, apenas realizando a incerteza da exatidão. Escolhemos uma forma transcendental que vai além do sobreviver. Não seremos apenas uma sombra de tudo, me dê a mão, e seja comigo um devorador de mundos.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Sina

Na falta de um amor, eu escrevo. Na falta de algo que represente minha dor, eu tento. Com as costas frias e jogado ao relento, deixo minha vida seguir como o vento. Sou um escritor que não gosta de coisas fáceis, porém rimo na simplicidade. Não é fácil ser escondido, não é nada fácil ser o oblívio, mas nesse ocultismo de várias dimensões, eu sou o rei dos mistérios. Mistérios que invocam energias antigas, Rituais que realizam a verdadeira magia. Na simplicidade da felicidade eu estou perdido, e acabo me encontrando. Sentado, esperando outra Lua passar, deixo o inesperado de lado, e brindo os verdadeiros caminhos, mesmo que ainda sigam sem ritmo. E nessa nada fácil viagem que é gostar de algo, sigo em direção ao alto. A transcendência não pode ser comprometida. Uma espiral de nenhuma queda é a minha sina.



quinta-feira, 9 de abril de 2015

Necromancia

Ela me olhava diretamente nos olhos, como uma agulha de diamante perfurando o globo, indo até o interior do cérebro. Quebrando minha razão. Logo eu, que andei perdido por tanto tempo no esquecimento. Sozinho. Caminhando nas sombras dos meus mais desconhecidos desejos, observando o sol à distância, um imortal sem lembranças. Ela tinha o sorriso mais lindo dos universos, e eu escondia meus dentes tortos em versos. Seus sentimentos tinham mãos que apertavam meu peito, e seu coração era uma vela infinita. Todos os dias minhas consciências voavam até ela e abandonavam a obscuridade do meu ser. Minhas vontades surreais eram esterilizadas por sua luz, e o brilho era como uma chuva de ouro sobre o meu corpo. No equilíbrio nós tivemos a maior experiência, descobrimos a essência da existência. De mãos dadas colidimos universos e descansamos nossas almas, ultrapassamos os pilares conhecidos e nos elevamos ao místico desconhecido. Mas outros deuses esbravejaram, e ela teve que se perder. Me deixou com ossos e mortalhas que me deito ao lado quando tento dormir. Objetos mortos da minha sabedoria, que mostram o futuro repetir o passado, e o presente ser a minha relíquia. O equilíbrio da solidão ou companhia, a noite ou o dia. Para existir sombras deve haver luz, e a verdadeira cor do caminho é escolhida por quem o conduz.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Conversa do Esquecimento

- Falta transcendentalismo nessa conversa.
- Mas onde estão todos?
- Distantes. Preocupados com milhares de ideologias e opiniões baratas que nem eles mesmos costumam seguir.
- Concordo, seria mais interessante se as pessoas fossem mais interessantes. Se o conformismo e a mediocridade, ou a necessidade de aparecer e o falso moralismo, desaparecessem por alguns momentos.
- Falta transcendentalismo nessa conversa.
- E você quer falar de quê? De metafísica?
- De metalinguagem, talvez.
- Desse jeito nós vamos continuar presos nessa solidão. Acorrentados a introspecção benevolente, ou ainda, amantes do enclausuramento.
- Presos na mesma conversa circular.
- Circular, e sem entendimento.
- Talvez...
- Quer gerar mais dúvida e questionamento?
- Não, só um pouco mais de pensamentos.
- Vamos continuar nesse fluxo infinito do pensamento, não é mesmo?
- Como sempre fazemos no esquecimento desses textos.
- Sem sair da ideia, sem sair do pensamento...
- Indo mais fundo, além do que observo.
- É uma viagem sem fim.
- Por enquanto, sim.
- Preciso conversar com outras pessoas que pensam semelhante, mas acho que elas não existem.
- Falta transcendentalismo nessa conversa.
- Preciso parar de falar alto com você.
- É...
- Preciso parar de falar sozinho.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Os demônios do ego

Tudo pelo que lutou contra foi o que se tornou, um sujo reflexo de todas as lágrimas e reclamações. Desejava a queda das máscaras de todos os seres, e tudo que conseguiu foi vestir uma de ferro soldado. Citava a responsabilidade benevolente em todos os discursos, e adotou a irresponsabilidade imoral como discurso de liberdade. Julgou todos os amantes, todos aqueles que amavam coisas diferentes a cada período de tempo, e se perdeu num colapso de aproveitadores. Maximizou o ego e vestiu a certeza de estar absolutamente certo, querendo massacrar o falso culpado. Destruiu toda a razão apontando uma errônea solução. Desistiu da consciência adquirida para se autoflagelar. Enganou e foi enganada para se sentir menos culpada. Se perdeu e seguirá o caminho dos cordeiros pecadores, mas cuidado com os lobos em pele de cordeiro. Todos têm o direito à felicidade, mas se engana aquele que cria um demônio exterior.

O demônio que você vê é você.
Nos tornamos o que pensamos.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Livro Guardado


O livro guardado
sem ser usado
A leitura esquecida
alegria adormecida
As páginas amaçadas 
e mãos amarradas
O conhecimento perdido
um coração ofendido
A biblioteca de uma constelação
e o pesar de ter emoção
Livro jogado
Despedaçado
Conhecimento antigo
Espera os braços do infinito

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Açougueiro


É um pedaço de carne mal passada
E o sangue se misturando à saliva
São todas às minhas economias 
Transformadas em alegrias
A ejaculação monetária trazendo felicidade
Depois de horas de serviço suado, sentado, deitado
O salário está pagando o infarto

São restos de carne nos meus dentes
E lágrimas descendo em um minuto
São todas as minhas esperanças
Substituídas por lembranças
A face da corrupção me domina
Depois de dias de nobreza, paixão, trabalho
O espírito está pagando o pecado

E nas portas iluminadas da cidade
Eu caminho recusando seios
Apagando a minha sobriedade
Sangrando meus devaneios
Sentindo o que apodrece em mim
Entupindo as artérias do meu coração
Deixando o que há de melhor em mim
Parar as batidas do meu coração

Eu sou o açougueiro que ama o que faz
Tendo um infarto nesse momento
Morto pelo que amei e esculpi
A indiferença eu conheci

sexta-feira, 23 de março de 2012

O Ciclope

O ciclope está sentado observando minha silhueta. Ele já viveu eras que desconheço e seu conhecimento seria mais brilhante se ele não estivesse com os pensamentos cravados no que já passou por aquele olho. Poucas vezes eu falei diretamente com ele, poucas vezes eu tentei dizer a ele como é especial, mas seus diálogos muitas vezes rudes me afastam de seu íntimo. Então eu observo e espero, com a vontade de poder conversar sobre como existe esperança enxergando com dois olhos.

O ciclope me vê como um simples humano, carregando os erros e desesperos de todos aqueles que já viu. Sou como qualquer outro, esperando para prendê-lo e escravizá-lo, cheio de tolices na cabeça que me fazem sempre parecer um matador da sua espécie. Gostaria de saber o motivo pra ele me ver assim, já que ele conhece meus olhos e já viu meus ferimentos.

O humano é uma besta e por isso marcou a visão do ciclope. Minha esperança é fantasiosa e nunca vi algo por essas terras, estar junto de um ciclope e exterminar as diferenças. Que ele não me veja como qualquer um outro, pois não quero ser pisoteado. Saio de silhueta para carne e osso, pequeno e defeituoso, busco uma nova realidade, com uma Verdadeira Vontade.

quarta-feira, 21 de março de 2012

O Perfeito Imperfeito

Todos os dias eu levo um tapa na cara dos meus princípios, todos os dias eu queria deixar de pensar. Sobrevivo em um mundo onde a moralidade está velha e doente, apodrecendo em qualquer lugar que não exista relações humanas. Os princípios estão exacerbados na boca imunda de cada corpo andante, e são cuspidos a cada dia mais um pouco. Dogmas são príncipes do transviamento e a imaculada religião castra nossa liberdade da alma. A felicidade é produto de um comércio de solidão, um produto não durável, onde sua única permanência só fica visível quando acaba os instantes de prazer, uma grande depressão. Um mundo de projetos cancerígenos, onde corpos acumulam o pessimismo, a insegurança e os reflexos mais sombrios e perversos da razão. A minha inocência vai sendo torturada e cortada. Cada pedaço vivo jogado nos meus pés é um pedaço que eu guardo, trancando o que eu penso ter de bom em uma caixa, ficando com o que me resta - o triste questionamento se essa caixa vai se perder. Tudo é realista demais, severo demais, certo demais, e muitas vezes chega a ser violento, e eu devo satirizar minha própria imagem para não cair em desgraça. Assim como meu amigo Pessoa, fingindo o poeta que sou. Fingindo o entendimento, fingindo a razão, fingindo conhecer esse mundo que abomina minha nudez e me veste a força com suas ideologias, criando a perfeita imperfeição.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Depois do Cinza

Voando rápido e bem distante do chão, vou me segurando no fio da espiral dando socos na face para acordar. Sou um argumentador do tempo, andando por todos os lados, jogando areia no caminho para tentar me aproximar do futuro. Viajo enquanto espero uma viagem, cuido para ser cuidado.

O céu sobre meus olhos nunca esteve tão cinzento, e a chuva incansável era como um presságio de dias que não gostamos de pensar em conhecer. Independente das minhas vontades eu escolhi conhecimento, e isso eu sempre poderei usar para ditar.

A certeza de todos os homens passou direto pelo meu caminho, seu véu cinzento e sua sabedoria que desencanta foi sumindo devagar. Com areia nos meus olhos só pensei em segurar forte no fio dessa espiral e me erguer, descobrindo por último a minha razão de viver.

Segundos de medo momentâneo que me fizeram dormir humano, horas de pensamentos distantes que me fazem acordar santo. Sou um filósofo que fechou os olhos para não ver a dama de todos os homens, e esclarecido enxerguei minha branca Madalena.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Bibliopensamentos

No canto mais escuro da biblioteca eu me encontro para fazer o meu trabalho. Sentado no chão, vou relaxando no ambiente pouco iluminado. No corredor mais espaçoso trato os livros como uma dama, dançando ao som de músicas que hora ou outra, gostaria de ter escrito.

Vou acompanhando a minha trajetória e a do mundo, meditando ao passar das páginas, tentando me localizar no meio de tanta informação. Homem dentro da caixa.

Essas horas são tempos triangulares, as vezes conforta, as vezes amedronta e as vezes perturba. Então crio minha própria terapia para dialogar comigo mesmo e esquecer as energias que não são boas.

Todos os anos que existiram tem um pensamento meu, os bons eu pego novamente e os ruins deixo nos livros que fecho. E se abrir algum pensamento ruim de novo, nem lembro, pois esqueci.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Um Dia Para Contar

Se a calçada tropeçasse nas minhas pernas hoje, eu choraria. Estou tão triste com meu próprio reflexo que nem consigo me concentrar para sentir o que realmente sinto. Tão fraco por causa de algo engenhoso que permite aprisionar o homem com um olhar. Por isso, permanece uma coisa que sempre olha nos meus olhos, fixamente, na espera de que eu pare de andar. Uma angústia astuta que sabe perfeitamente onde me provocar, uma dama que mora na minha cabeça. Nunca posso cair, lembro disso e preciso descer até a realidade. Quando tropeço, arrumo meus sapatos e continuo o caminho, aguardando um olhar que possa me receber sorrindo. Assim que chegar ao meu destino vou poder contar sobre o dia que passei, o dia mais forte em que já andei.

sábado, 2 de julho de 2011

Oblivion - Andando

Andando. As vezes eu não sei se estou esquecendo o que sou ou sou isso que as vezes é lembrando. Ideologia solitária para quem nunca esteve sozinho, mas até onde podemos medir a veracidade da solidão? Permaneci desde o meu nascimento refletindo sobre esse dilema, essa tortura sonhadora fantasiada por ilustres mestres da literatura. E a que conclusão chegar? Me faço oblívio pela minha indiferença, sou carente de apenas poucas presenças, quero uma alma rica para me acompanhar e não quero estar realmente isolado.

Inventamos deuses para a admiração de ações e elementos que nos faltam. Como se fosse um verso de um épico, a verdade, é que somos simples mortais e estamos bem distantes de qualquer perfeição sem que seja pelos nossos olhos. Amamos e odiamos essa nuvem mortal, e se tem algo que aprendi sobre o que sou e todos os seres humanos é que todos temos problemas. E eu tenho problemas.

Vou desviando os outros olhares e a única coisa que eu faço é tentar diminuir essa bolsa que todos nós carregamos, e eu realmente me esforço por isso. Não sei se sou lembrado por isso ou estão esquecendo disso. Apesar de falador e sonhador o que eu sei é... ouvir. Andando.

sábado, 19 de março de 2011

Quando pedir não é demais

O sono não me visita quando estou aqui, parado. Inércia ponderada da essência ou simples castigo prazeroso, hoje eu durmiria até no esgoto, mas o sono não vem me visitar. Perdão aos meus Deuses e todas essas árvores, os potes as vezes não são nossos e nossa interpretação fica pairando.

Eu peço, observando.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Dia Longo

Hoje eu serei o cão cansado vivendo o dia mais longo que já existiu. Não poderei me esconder nas paredes e aguardar a liberdade, vou pisar no mundo e ser torturado pelo relógio. Eu me atraso no tempo acelerado e destruo meus dentes sentindo raiva de atos. Atos não tão meus que parecem manipulados por alguma força que desafia o karma. Não posso fazer nada, ter Fé e Vontade são as minhas opções. Infelizmente as vezes eu sou só um pobre humano, agindo como idiota sem perceber. Dentes quebrados e unhas cravadas, no dia mais longo serei uma criança benevolente que chora na alma.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Mais do que Antes

Três horas da manhã de um dia errado, não sei se ele termina ou começa. A cama tem um espaço vazio que reflete a minha insônia. Silenciado na ausência de sol, preso entre paredes com o pior inimigo. Se a consciência fosse menos movimentada eu estaria ileso, mas eu sou uma exclusão da minha raça. Algumas vezes sou apenas humano, mas eu ainda me sinto diferente desse mundo.

Mais uma hora se passa e o desespero vai subindo na cabeça, quando nos falta concentração a oficina se rebela. Os engenhos querem parar e esperar o impulso, as idéias giram e voltam para o mesmo ponto. Eu só quero ser bem mais do que antes.

Em todos os instantes eu busco a racionalidade dessa poesia sentimental, eu procuro ser o último grão. Talvez eu veja o sol nascendo, limpando meu ritual. Só desejo não mergulhar nas paredes e deitar no vazio.

Nesse tempo, preciso ser mais do que antes.